Credits: NASA/Scott Eckley

A superfície rochosa e inesperadamente acidentada do asteroide Bennu, que intrigava cientistas da NASA desde a chegada da sonda OSIRIS-REx em 2018, teve seu mistério finalmente revelado. Uma pesquisa aprofundada em amostras coletadas e trazidas à Terra revelou que a chave para entender seu comportamento térmico reside em uma rede de rachaduras internas em suas rochas.

Antes da OSIRIS-REx, dados do Telescópio Espacial Spitzer de 2007 indicavam baixa inércia térmica, sugerindo uma superfície que aquece e esfria rapidamente, como areia. A sonda, porém, revelou um mundo coberto por grandes blocos rochosos, contrariando expectativas de áreas lisas. Essa discrepância gerou perplexidade, pois rochas grandes deveriam reter calor por mais tempo.

A Contradição Térmica do Asteroide

Andrew Ryan, da Universidade do Arizona e líder do grupo térmico da missão, expressou espanto com a prevalência de rochas. A primeira hipótese para conciliar as observações era a porosidade do material.

O retorno das amostras de Bennu em setembro de 2023 permitiu análises laboratoriais. A porosidade contribuía para a dissipação de calor, mas não o suficiente para a baixa inércia térmica. Os achados, publicados na Nature Communications, indicavam que faltava uma peça no quebra-cabeça.

Rachaduras Internas: O Segredo Revelado

A descoberta crucial veio de uma equipe da Universidade de Nagoya, no Japão, que utilizou termografia a laser. Eles verificaram que rochas de Bennu eram permeadas por extensas redes de rachaduras internas. Essa estrutura fragmentada permite ao calor dissipar-se mais eficientemente, explicando a baixa inércia térmica. A missão Hayabusa-2 da JAXA, em Ryugu, já havia encontrado características similares.

Para validação em escala, cientistas do Johnson Space Center da NASA usaram tomografia por raios X (XCT). A tecnologia mapeou estruturas internas das amostras sem danificá-las, confirmando a prevalência e natureza dessas fissuras, que conduzem calor eficientemente.

Implicações para a Ciência Espacial

Compreender a composição e o comportamento térmico de Bennu aprimora nosso conhecimento sobre a formação e evolução de asteroides carbonáceos, relíquias do sistema solar. É vital para futuras missões, seja em coleta de amostras, defesa planetária ou exploração de recursos. A análise direta de amostras complementa observações remotas, avançando a ciência astronômica.

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Fonte: https://science.nasa.gov

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