O Observatório de Raios-X Chandra da NASA revelou um fenômeno inusitado na galáxia Messier 83 (M83). Ao invés do lento desvanecimento esperado de remanescentes de supernovas — as nuvens de gás quente deixadas após a explosão de estrelas massivas —, astrônomos registraram variações dramáticas em seu brilho. A pesquisa, com 14 anos de dados, desafia a compreensão atual sobre o pós-vida estelar e foi publicada no The Astrophysical Journal, abrindo novas questões para a astrofísica.
Localizada a 15 milhões de anos-luz, a galáxia M83 é notável por sua alta formação estelar. A equipe de pesquisadores analisou dados do Chandra coletados entre 2000 e 2014. Contudo, cerca de metade das 22 fontes de raios-X identificadas como remanescentes exibiram mudanças notáveis. "É uma surpresa que tantos remanescentes de supernovas estejam se comportando assim", afirmou Andrea Prestwich, líder do estudo da Catholic University of America.
O enigma dos sistemas binários
A variação de uma das fontes, a SN 1957D, é explicada pela interação com o material circundante. No entanto, essa hipótese não serve para a maioria dos casos. A teoria mais forte aponta para estrelas "sobreviventes" em sistemas binários: uma estrela massiva explodiria como supernova, deixando para trás um buraco negro ou uma estrela de nêutrons ultradensa, enquanto sua companheira persistiria. A matéria arrancada da superfície da estrela sobrevivente pelo intenso campo gravitacional é superaquecida, emitindo os raios-X detectados pelo Chandra. Tais sistemas são conhecidos como binários de raios-X de alta massa (HMXBs).
A associação de HMXBs com remanescentes de supernovas não é nova, mas o volume de candidatos na M83 é inédito. Michael McCollough, coautor do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian (CfA), sugere que M83 pode abrigar remanescentes onde estrelas massivas sobreviveram à explosão do parceiro. Outra hipótese, apresentada por Roy Kilgard da Wesleyan University, é a "reciclagem cósmica": o buraco negro ou estrela de nêutrons recaptura material ejetado de sua própria explosão.
Este estudo não apenas revela a complexidade do ambiente cósmico pós-supernova, mas oferece pistas cruciais para refinar modelos de evolução estelar e a formação de buracos negros e estrelas de nêutrons. A pesquisa aprofunda nossa capacidade de mapear o destino de sistemas estelares no universo. Compreender esses fenômenos "inesperados" é essencial para montar o quebra-cabeça maior sobre a origem e evolução da matéria cósmica, incluindo a que compõe nosso próprio sistema solar.
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Fonte: https://science.nasa.gov
