NASA/UCB-SSL/NAU-Radiant/Lucint

A missão ESCAPADE da NASA, em seu trajeto rumo a Marte, presenteou a comunidade científica e o público com um "retrato de família" inédito da Terra e da Lua. Em 3 de julho, uma das duas espaçonaves capturou imagens dos nossos vizinhos cósmicos a aproximadamente 584.600 quilômetros da Terra e 186.100 quilômetros da Lua, oferecendo uma perspectiva crucial para calibração e compreensão planetária. Este evento marca um passo importante antes da jornada final da sonda ao Planeta Vermelho.

As imagens: um contraste entre luz visível e infravermelho

As fotografias foram realizadas em luz visível e infravermelho térmico, revelando informações distintas sobre ambos os corpos celestes. Na luz visível, com o Sol iluminando-os parcialmente, a Terra e a Lua surgem como delicados crescentes, com apenas cerca de 8% de suas faces expostas à luz solar. Contudo, é na imagem infravermelha que se percebe um contraste fundamental: o hemisfério sombrio da Terra irradia calor entre -10 e -44 graus Fahrenheit (250 a 280 kelvins), evidenciando a capacidade de sua atmosfera e oceanos de reter energia. A Lua, desprovida dessas camadas protetoras, permanece gélida, a aproximadamente -280 graus Fahrenheit (100 kelvins) em sua face oculta. Essa diferença dramática é crucial para entender a regulação térmica e a potencial habitabilidade de planetas.

Mais que um álbum de viagem: a calibração para Marte

Longe de serem meros instantâneos espaciais, essas imagens da Terra e da Lua servem como um teste de calibração essencial para o Sistema de Observação Visível e Infravermelho da ESCAPADE. Rob Lillis, pesquisador principal da missão na Universidade da Califórnia, Berkeley, destacou o entusiasmo em acomodar essas câmeras, que futuramente buscarão auroras e investigarão as propriedades térmicas da superfície e atmosfera de Marte. Atualmente, as duas espaçonaves da ESCAPADE, construídas pela Rocket Lab, estão em órbita de "espera" no ponto de Lagrange 2 – uma região de estabilidade gravitacional a 1,6 milhão de quilômetros da Terra.

Em novembro de 2026, as sondas farão um sobrevoo estratégico pela Terra para usar sua gravidade como um "estilingue" cósmico, ganhando o impulso necessário para sua jornada final. A chegada a Marte está prevista para setembro de 2027. Uma vez lá, a missão ESCAPADE (Escape and Plasma Acceleration and Dynamics Explorers) terá como objetivo principal estudar a interação do vento solar — um fluxo de partículas carregadas do Sol a milhões de quilômetros por hora — com o ambiente marciano e o processo de perda atmosférica. Compreender como Marte perdeu sua atmosfera é fundamental para desvendar sua história climática e o potencial passado para a vida.

A importância da colaboração espacial

Financiada pela Divisão de Heliofísica da NASA e parte do programa Small Innovative Missions for Planetary Exploration (SIMP), a ESCAPADE é um projeto colaborativo liderado pelo Laboratório de Ciências Espaciais da UC Berkeley, com apoio de parceiros estratégicos como Rocket Lab, NASA Goddard Space Flight Center, Embry-Riddle Aeronautical University, Advanced Space e Blue Origin. Essa união de expertise e recursos globais ressalta a complexidade e a ambição da exploração espacial, visando expandir nosso conhecimento sobre a dinâmica planetária em nosso sistema solar e o lugar da Terra nele.

As imagens da Terra e da Lua pela ESCAPADE representam mais do que um marco visual; são um passo instrumental na preparação para desvendar os mistérios de Marte e de como os planetas evoluem. Elas reforçam a capacidade humana de explorar e compreender o cosmos e a vitalidade da ciência espacial. Para continuar acompanhando as mais recentes descobertas e análises aprofundadas sobre o universo e suas maravilhas, visite o Olhar Astronômico, seu portal de informação relevante e atualizada sobre astronomia e ciências.

Fonte: https://science.nasa.gov

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