NASA Science

No final de janeiro de 2026, uma poderosa tempestade de inverno transformou a paisagem da Carolina do Norte, cobrindo grande parte do estado com acumulações significativas de neve. Embora a neve não seja incomum para a região, a extensão e a intensidade deste evento foram notáveis, marcando um dos fenômenos climáticos mais impactantes da história recente do estado.

A magnitude desse acontecimento foi capturada de forma impressionante em 2 de fevereiro pelo satélite Terra da NASA, utilizando o Moderado Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS). A imagem revelou um manto branco quase contínuo que se estendia das cidades montanhosas no oeste até as praias no leste, oferecendo uma perspectiva aérea única sobre um cenário terrestre raramente visto.

Um Fenômeno Inédito: A Extensão da Cobertura Nevada

Pela primeira vez em mais de uma década, todos os 100 condados da Carolina do Norte registraram neve mensurável, um testemunho da abrangência sem precedentes da tempestade. A imagem de satélite da NASA corroborou essa observação, mostrando uma cobertura quase ininterrupta que transformou completamente a topografia diversificada do estado, desde os picos das montanhas até os litorais arenosos.

A ocorrência de neve generalizada na Carolina do Norte geralmente requer uma combinação específica de fatores meteorológicos. Durante o fim de semana de 31 de janeiro, o ar ártico que já havia se estabelecido sobre o estado se encontrou com a umidade fornecida por um sistema de baixa pressão que se deslocava por uma rota próxima à costa. Essa confluência de frio intenso e suprimento abundante de umidade criou as condições ideais para a formação e deposição de neve em larga escala.

O Impacto Regional: Recordes de Acúmulo de Neve

As acumulações de neve variaram significativamente entre as regiões, com algumas áreas montanhosas no oeste do estado registrando mais de 30 centímetros, após vários anos sem eventos de neve expressivos. Embora localidades como Asheville tenham visto quantidades menores, a tempestade se estendeu ao sul até Greenville, Carolina do Sul, nas encostas das Montanhas Blue Ridge, onde o centro da cidade recebeu cerca de 13 centímetros. Na região do Piedmont, a parte central e montanhosa do estado, Charlotte foi agraciada com quase 30 centímetros de neve, o maior volume desde 2004, enquanto Raleigh registrou um acúmulo mais modesto de 7,1 centímetros.

A surpresa maior, no entanto, veio para as áreas costeiras, que raramente experimentam tais volumes de neve. Partes do Condado de Carteret relataram mais de 30 centímetros. Beaufort, uma cidade continental na área sul dos Outer Banks, enfrentou forte nevasca com ventos, enquanto Greenville, Carolina do Norte (mais ao leste do estado), registrou impressionantes 35,5 centímetros, um volume não visto desde uma grande tempestade em março de 1980.

Consequências em Solo: Perigos e Destruição

Apesar da visão serena do espaço, a tempestade gerou riscos consideráveis no solo. As condições perigosas nas estradas resultaram em congestionamentos e colisões, conforme relatos da imprensa local. Além disso, as áreas costeiras foram castigadas por ventos fortes e ondas altas, adicionando uma camada extra de perigo ao cenário de neve.

O impacto nas zonas costeiras foi particularmente devastador. Na Highway 12, nos Outer Banks, o transbordamento do oceano cobriu partes da rodovia com água e areia. Mais gravemente, várias residências ao longo da costa da Ilha Hatteras desabaram no mar, evidenciando a força destrutiva da tempestade e as vulnerabilidades das infraestruturas costeiras diante de eventos climáticos extremos.

A nevasca de final de janeiro de 2026 na Carolina do Norte será lembrada como um evento histórico, tanto pela sua beleza incomum vista do espaço quanto pelos desafios e perigos que impôs aos seus habitantes. A tempestade não apenas reescreveu os registros de neve em várias localidades, mas também serviu como um poderoso lembrete da capacidade transformadora da natureza.

Fonte: https://science.nasa.gov

Destaques 

Relacionadas

Menu